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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lurdinha das Gramáticas

Água com gás
Cigarrinho
E chiclete
Se você não entendeu,
Lurdinha repete:
"Gente, a Gramática não é filosófica"
Fica repetindo
E repetindo
E repetindo
Tudo o que eu sei é:
"Período alexandrino"
Bolo de chocolate
Bolo de maracujá
Pão com manteiga
Pão com canela
Pão de cocada
"Professora, está na hora de fazer a chamada"
Macaco grande
Macaco pequeno
"Gente, vocês tão entendendo?"
Neve cadu
Neve shifu
Caindo no quintalzinho do meu iglu
Mas não pense que este é um assunto sem relevância!
Afinal, a neve pode matar uma criança
Lurdes pro Guilherme
Lurdes pra Thaís
Lurdes pro macaco Raí
Lurdes pro Teatro
Lurdes pro Palatão,
Pro Aristótlis e pro Soca
Lurdes pra você e eu
E a pergunta é:
"Entendeu?"

domingo, 6 de maio de 2012

Ela

Usando de seus truques, ela descobriu

Que gostavam dela

E era verdade

Já haviam se passado um milhão de mensagens

E olhares que diziam outra coisa,

Não só brincadeira

E ela foi certeira

Deu uma indireta

Jogou um verde

E todo o flerte

Agora estava revelado

Passou a se preocupar mais

Passou a se arrumar mais

Calcinha bege?

Jamais!

Enfeitou os olhos que, até então, ninguém sabia que eram verdes

Pintou os lábios dos quais não saía palavra alguma

E botou o seu vestido mais Geise

Porque sabia que, de alguma forma,

Suas pernas faziam palpitar um coração

Muito mais que um coração, pra falar a verdade

Ela descobriu que gostavam dela

Nos pequenos gestos, nas coisas mais belas

Num ceder o lugar próximo à janela

Num oferecer de um Trident de canela

No olhar invejoso da Marcela

No amor escondido que agora revela.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Apenas

Para decorar a sala
Uma mesa
Mas não uma mesa qualquer
Uma de pernas bonitas
Ornamentadas
Mas sem nada
Num estilo barroco
E um pano leve que lhe cubra
Como um vestido
E que mostre
As pernas
Apenas

quarta-feira, 14 de março de 2012

Doa

Eu não posso querer que você me dê exatamente aquilo que te dou. Mesmo porque quem ama de verdade o faz a troco de nada.
Não, eu não posso exigir que você me ligue quando chega em casa, só porque essa é a primeira coisa que faço quando abro a porta. Nem que me traga o café na cama, porque eu assim o faço. Ou que me escreva bilhetes de amor.
Porque você é tímida demais para fazer uma ligação, não sabe preparar nem um macarrão instantâneo e se diz um desastre para expressar, em palavras, aquilo o que sente.
Tudo bem... Tudo bem.
Eu aprendi que cada um tem seu jeito de amar. E temos que aceitar isso. Temos que confiar.
Por mais que doa em quem mais doa.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nem queria...

Eu nem queria te namorar
Não queria que tudo desse certo mesmo
Não queria você batendo na porta da minha casa
No meio da madrugada
Só pra me dizer
Que terminou com sua namorada
Nem queria que você pegasse a minha mão
Nem que me levasse ao cinema
Eu não!
Já pensou que horror?
Você abrindo a porta do seu Doblô
Só pra eu entrar
E se você achasse no rádio uma estação
Que traduz em músicas o que se passa em meu coração?
Já pensou que brega...
Você perguntando que horas me pega
Pra gente fazer um piquenique no domingo
Ou me fazendo carinho enquanto eu estivesse dormindo
Eu nem queria te namorar
 Eu nem torci pra você acabar
Pra gente começar
Eu nem acho seu sorriso perfeito
Eu nem gosto do movimento do seu cabelo
O vibrar do meu celular
Nem faz palpitar meu peito
Na verdade eu gosto de tudo como está agora
Eu no meu canto e você indo embora
Porque eu nunca signifiquei nada pra você
E você nem foi nada pra mim
Tudo está bom assim
Estou muito feliz
Com meus doces, meus filmes depressivos e minhas espinhas no nariz
Isso mesmo, pode ficar bem longe
Porque eu nunca gostei de te ver
Porque nós nunca tivemos nada a ver
Porque eu prefiro ver TV
E comer
Até minha roupa não caber
Até não pensar em você.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ceia de Natal

O ser humano está sempre querendo superar limites. Nunca estamos satisfeitos com a quantidade de comida que enfiamos no nosso estômago, estamos sempre testando sua elasticidade e capacidade máxima de armazenamento. Enquanto existir capacidade de abrir a boca, existirá espaço para uma fatia de panetone, duas colheradas de arroz com passas, cinco rabanadas, um pedaço de chester...

O problema é que os alimentos ficam na mesa de jantar a noite toda. Então, toda vez que passamos por ela, comemos alguma coisa, como se tivéssemos a necessidade de vê-la vazia. Ou como se estivéssemos estocando comida para um mês inteiro. Foi ao banheiro, pegou um docinho. Foi olhar a árvore, comeu castanhas. Elogiou a mesa, comeu outro pedaço de tender. Ficou sozinho na sala, enfiou uma rabanada, uma colher de farofa, um vidro de patê e um enfeite da mesa na boca.

E sempre existe aquela história de "Será que esse é bom? Vou botar um pouquinho no prato pra experimentar", ou então "Não comi isso ontem, vou ver se é bom mesmo...". É lógico que é bom! E é óbvio que você já sabe disso porque ceia de Natal não muda! Para com essa desculpa esfarrapada e põe logo esse negócio no prato!

E, no fim da noite, a famosa frase: "Comi demais. Nunca mais vou comer assim!". Mentira! Porque, como sobrou bastante comida e ainda há capacidade de abrir a boca, no dia seguinte a história se repete...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Insegurança

Eu costumava ser essencial. Era a pessoa para quem você ligava quando tinha insônia. A pessoa que te ouvia — com ouvidos e coração abertos — quando precisava compartilhar sua dor. Sim, eu tomava parte de suas dores para tirar um peso dos seus ombros. Eu fui quem acreditou no seu sucesso antes mesmo de você sonhar em conquistar o mundo. Mas isso foi em outra época. Quando todos viam como pequena a grande pessoa que eu sempre soube que você era.

Você fez com que eu me sentisse insubstituível. Despertou em mim o desejo de sê-lo. E agora que tudo se ajeitou, não precisa mais de mim, não é mesmo? Afinal, não há mais insônia, nem dor e nem insegurança para conquistar as coisas.

Com sua ausência, eu fui insônia, fui dor e fui insegurança para te conquistar. Para te reconquistar. Fui inseguro a tal ponto que desisti. Até não haver — também para mim — mais insônia ou dor. Insegurança? Não sei. O que você acha?